| CAN 2010: para além do futebol
Agentes desportivos e governantes afirmam que jamais uma competição de futebol, em Angola, gerou tanta expectativa de exaltação patriótica, como é esta que se aproxima
Por Sebastião Marques *
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A mascote Palanquinha foi inspirada na Palanca Negra Gigante, que é um símbolo nacional de Angola, ex-libris da fauna nacional, pois trata-se de uma espécie que não se encontra em mais nenhuma parte do mundo |
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ex-árbitro italiano Pierluigi Collina, o melhor da sua categoria ao nível mundial segundo a crítica desportiva, e o jogador liberiano George Weah, considerado o melhor jogador do mundo pela FIFA no ano de 1995, tiveram as suas vidas mudadas pelo futebol e acreditam que a taça das Confederações Africanas, CAN Orange – Angola 2010 transformará a face desta nação africana.
“O futebol fez-me o homem que sou”, diz Collina, convidado recentemente a falar, em Angola, tanto sobre a sua trajectória, quanto sobre as características que fazem de um árbitro um juiz ímpar.
Collina recebeu, de um amigo, o desafio, aos 17 anos, de participar de um concurso para a formação de árbitros de futebol.
Nascido em Bologna a 13 de Fevereiro de 1960, Collina seguiu o seu amigo e teve verdadeiros momentos de glória ao longo da carreira como o facto de ter apitado a final da Copa do Mundo de 2002 que teve a sede na Coreia do Sul e no Japão, Brasil x Alemanha, vencida pelo Brasil por 2 a 0.
Collina é economista formado em 1984 pela Universidade de Bologna, pai de duas filhas e um verdadeiro símbolo nacional da Itália tão reconhecido e respeitado quanto os principais jogadores do país.
“Quando olho para a minha juventude, encaro aquele como o momento que definiu a minha vida. É incrível como a decisão de outros pode afectar a nossa própria vida. Sou grato porque, com o convite, ele pôs-me na condição de me tornar no homem que sou hoje”, acrescenta.
George Weah, perdido nas ruas de Monróvia (Libéria) teve de partir, ainda jovem para os Camarões, outra nação africana, em busca tanto da afirmação no futebol, quanto de um meio de sustento para a avó e os seus irmãos.
“O futebol mostrou-me o caminho da afirmação pessoal e social: com o futebol construímos a paz na Libéria, pois sempre que a selecção jogasse, os rebeldes depunham as armas e festejavam as vitórias como uma nação unida. Hoje, com a minha própria fundação, treino milhares de jovens liberianos com programas de bolsas de estudo para que jovens futebolistas estudem e tenham instrução universitária”, afirma Weah.
George Tawlon Manneh Oppong Ousman Weah nasceu em Monróvia a 1 de Outubro de 1966. Como futebolista, passou pelo auge da sua carreira actuando pelo AC Milan, entre 1995 e 2000. Em 1995, foi eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA.
Como político, concorreu, em 2005, à presidência do seu país, sendo derrotado pela candidata Ellen Johnson-Sirleaf. Rapaz pobre nascido num país do terceiro mundo, Weah não esquece as suas origens e afirma, com frequência, que o seu sonho é tornar-se presidente da Libéria e ajudar as vítimas da guerra civil por meio da Fundação George Weah.
George Weah e Pierluigi Collina foram trazidos a Angola para enfatizarem o carácter que o País pretende dar à taça das confederações africanas, CAN Orange-Angola2010, a de ser o evento maior do que uma mera competição de futebol.
“Encaramos o CAN Orange-Angola 2010 como um momento de educação para a cidadania, para o estreitamento de laços, para a reconstrução nacional e, acima de tudo, como um factor de unidade Africana”, defende o Ministro da Juventude e Desportos de Angola, Gonçalves Muandumba, que é também o coordenador-adjunto da Comissão Ministerial de Monitorização do Comité Organizador da Taça de África das Nações Orange-Angola 2010 (COCAN).
“Vimos o CAN Orange-Angola 2010 como um estímulo à reconstrução, pois o país ganha em infraestruturas, o resto que vier é lucro”, afirma, por sua vez, a vice-presidente para a Federação Angolana de Futebol, a psicóloga Eufrazina Maiato, falando exclusivamente para a Revista LUSOFONIA.
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