Angola. Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste
Publicidade
 
 
 
 
   
 



 

O rei do futebol lança empreendimento em Angola

LEIA MAIS >

 

Número de infecções pelo HIV em todo o mundo cai 17% em oito anos

LEIA MAIS >

 

Em Angola, o chamado Guiché Único da Empresa tem facilitado a constituição de empresas e permitido, assim, a expansão da economia angolana.

LEIA MAIS >

 

A 23 de Novembro, o Presidente do Irão, Mahmoud Ahmadinejad foi recebido no Palácio do Itamaraty, em Brasília, com manifestações pró e contra a visita ao Brasil

LEIA MAIS >

 

A visão de país, com seus princípios sociais, culturais, religiosos e de comportamento do cidadão, foi decidida em uma revolução popular, em 1979, com a criação da República Islâmica do Irão

LEIA MAIS >

 

 

Baixe a versão PDF
das poesias

 

 
 
Abílio Manuel Guerra Junqueiro

Óscar Ribas, escritor, etnólogo, etnógrafo, linguista, antropólogo e ensaísta, este criador da cultura moderna Angolana e extraordinário realizador da língua portuguesa deixou um precioso legado para a memória colectiva.

A propósito do centenário do nascimento do autor Ribas (que viveu entre os anos de 1909 a 2004), assinalado no dia 17 de Agosto de 2009, especialistas Angolanos e estrangeiros estudiosos da obra deste grande vulto da cultura angolana e lusófona adicionaram um valioso tributo à sua memória, em conferência realizada pelo Ministério da Cultura do Governo de Angola, na cidade de Luanda.

Testemunhada por distintas personalidades e demais interessados, o evento registou depoimentos de familiares e pessoas próximas a Óscar Ribas.

Ainda por ocasião da conferência, assinalamos como nota de realce a apresentação de 15 reedições de livros de autoria de Óscar Ribas, entre os quais Nuvens que Passam, contos com que se estreou no mundo das letras.

Este livro, publicado pela primeira vez em 1927, estava desaparecido tendo sido recentemente resgatado um exemplar por Maria do Céu Ribas, sobrinha do escritor, que o acompanhou nos seus últimos tempos de vida. O ressurgimento de Nuvens que Passam foi saudado com particular entusiasmo pelos participantes.

Para complementar as referidas reedições, foi lançada uma fotobiografia de autoria de Gabriel Baguet Jr, intitulada Óscar Ribas – a memória com a escrita.

Muito brevemente, serão reeditados mais dois títulos de Óscar Ribas em Angola, de acordo com um compromisso assumido pelos organizadores do evento.

Enfim, foi uma memorável homenagem com momentos lúdicos animados por música, dança e uma interessante exposição bio-bibliográfica sobre a vida e obra de Óscar Ribas, um homem que tinha o sonho de ver invisuais Angolanos com domínio da linguagem Braille, formados e independentes, à semelhança do que se vê nos países desenvolvidos.

Abílio Manuel Guerra Junqueiro

Considerado como um dos fundadores da ficção narrativa Angolana, Óscar Ribas é talvez o único autor deste país que se assumiu como escritor profissional. “Não vivo da literatura mas sim para a literatura”, disse o escritor ao jornalista Álvaro Macieira, citado pelo antropólogo Virgílio Coelho, numa palestra na sede da União dos Escritores Angolanos, a propósito do nonagésimo aniversário de Óscar Ribas.

Num período difícil da sua vida, em 1948, este autor teve que hipotecar parte da pensão herdada do seu pai e pedir dinheiro emprestado ao seu irmão Mário Ribas para ver publicado o seu livro Flores e Espinhos. Lirismo, ensaios e contos, conta Virgílio Coelho. Três anos mais tarde, também com dinheiro emprestado, conseguiu a publicação do romance Uanga, livro que mereceu uma menção honrosa da Agência-Geral do Ultramar.

Óscar Ribas apareceu na paisagem literária aos 18 anos de idade com contos compilados no livro Nuvens que Passam.

A sua obra é marcada por uma carreira que começou por textos líricos, influenciado pelo romantismo, e consolidou-se com uma escrita baseada nos hábitos e costumes Angolanos, nomeadamente, da cultura kimbundu.

Nuvens que Passam e Resgate de uma falta são livros que reflectem a primeira fase da obra do escritor. Ecos da minha terra e Uanga marcam a fase adulta da carreira de Óscar Ribas.

Para delícia de brevíssimos momentos da sua obra, captamos trechos de textos literários de Óscar Ribas. Há um aspecto que trespassa toda a obra deste escritor. Trata-se do aspecto telúrico, reflectido na descrição da paisagem, com cantos de andorinhas ou vozes de corvos. Vamos aqui demonstrar como o escritor pintou a paisagem do mar em dois contos, “O Nome de Maria”, do livro Nuvens que Passam publicado em 1927, e “Gente do Mar”, do Ecos da minha terra, publicado em 1952.

No conto “O Nome de Maria”, a paisagem do mar aparece num sonho de Maria. Óscar Ribas galgava os primeiros passos de uma carreira literária que viria a durar várias décadas: “Sonhava também que, muitas vezes, de manhã cedo, vendo o mar todo colorido de verde a espraiar-se preguiçosamente, avistava ao longe, no horizonte, uma barquinha com as suas brancas velas, e que, passado algum tempo, se ouvia o cantar monótono dos pescadores que eram esperados na praia pela algazarra da filharada”.

No cono “Gente do Mar”, já como escritor consagrado, recupera o simbolismo do mar no imaginário da angolanidade, particularmente dos Ilhéus da Ilha de Luanda, e translada-o para a literatura moderna lusófona.

Aqui não mais aparece o canto monótomo dos pescadores. Notam-se traços identitários dos seus trajes, do seu linguajar e os mistérios do mar. Os pescadores falam do mar e de rituais próprios dos ilhéus.

 
Páginas 1 | 2 | 3 | 4 | 5
 
NOVEMBRO/DEZEMBRO 2009
 
Retornar à página inicial