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Luís
Fonseca, Secretário-Executivo
da CPLP, e "Nino" Vieira |
Crise na GUINÉ-BISSAU
Após demissão do governo, o Presidente João
Bernardo "Nino" Vieira nomeia Martinho N'Dafa Cabi novo
Primeiro-Ministro
Imagem cedida pela CPLP
Na
primeira quinzena de Abril, a Presidência da Guiné-Bissau
decretou uma nova estrutura orgânica para o novo Poder Executivo
e nomeou 20 ministros e nove secretários de Estado. No novo
Governo, apenas se encontram dois nomes comuns ao anterior Executivo,
então liderado por Aristides Gomes: o de Issuf Sanhá,
anterior Ministro da Economia, que passa a tutelar a pasta das Finanças,
e o de João de Barros, que se mantém à frente
da Secretaria de Estado da Comunicação Social.
O novo Primeiro-ministro da Guiné-Bissau,
Martinho N'Dafa Cabi, agradeceu o apoio da população,
militantes e simpatizantes dos partidos signatários do acordo
de estabilidade governativa, nas primeiras declarações
aos jornalistas após a sua nomeação: "Quero
agradecer a toda a população, militantes e simpatizantes
do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo
Verde (PAIGC), do Partido de Renovação Social (PRS)
e do Partido Unido Social-Democrata (PUSD) que aceitaram de uma
forma consciente assinar um pacto político de estabilidade
política, que resultou na minha nomeação",
afirmou Martinho N'Dafa Cabi.
Sobre
as acções a empreender, o novo Primeiro-Ministro garantiu
trabalhar com afinco rumo às próximas eleições,
"de uma forma tranquila, com responsabilidade e justiça".
Ao nomear Martinho N'Dafa Cabi Primeiro-Ministro do país,
Nino Vieira pôs têrmo à crise criada com a demissão
do governo pelo parlamento. A actual crise política na Guiné-Bissau
teve início no passado dia 12 de Março, quando as
três principais forças políticas do país
- PAIGC, PRS e PUSD - assinaram um acordo de estabilidade governativa
para criar um governo de consenso nacional.
Na sequência da assinatura do também
chamado pacto político, os maiores partidos da Guiné-Bissau
apresentaram a 19 de Março uma moção de censura
no Parlamento contra o Governo liderado por Aristides Gomes e sustentado
pelo Fórum de Convergência para o Desenvolvimento.
A moção de censura foi aprovada pela maioria dos deputados
da Assembleia Nacional, provocando, de acordo com o estipulado na
Constituição do país, a imediata demissão
do Executivo, que iniciou funções depois de Nino Vieira
ter demitido, em 2005, o governo liderado por Carlos Gomes Júnior,
presidente do PAIGC. Duas semanas após a aprovação
da moção de censura, Aristides Gomes apresentou a
demissão do cargo do Primeiro-Ministro. O primeiro despacho
do novo Chefe do Governo da Guiné-Bissau determinou o bloqueamento
das contas bancárias do Tesouro Público, Ministérios
e secretarias de Estado guineenses. O documento, com data de 16
de Abril, determina igualmente que o anterior Governo apresente
um "relatório financeiro sobre os depósitos e
levantamentos efectuados desde 19 Março", dia da aprovação
da moção de censura, que provocou a demissão
do executivo liderado por Aristides Gomes. Martinho N´Dafa
Cabi decidiu igualmente "quebrar o sigilo bancário das
contas do Estado" e centralizar as contas do Tesouro Público
no Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO).
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