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Presidenciais em TIMOR-LESTE

Francisco Guterres "Lu Olo" e José Ramos-Horta disputarão a segunda volta das eleições no país. O Ministério da Administração Estatal informou que a abstenção na primeira volta do escrutínio foi de 24% dos eleitores

por Viridiana Fernandes

A 21 de Abril, o Tribunal de Recurso de Timor-Leste ratificou os resultados do primeiro turno das eleições presidenciais no paí confirmando Francisco Guterres "Lu Olo" e José Ramos-Horta como os candidatos à segunda volta.

Na divulgação dos resultados, presidente do Tribunal de Recurso, Cláudio Ximenes, sublinhou que o Tribunal procedeu ao acerto do número de votantes, diminuindo em 514 o número de eleitores que votaram para um total de 427.198 contra os 427.712 dos resultados provisórios. A alteração do tribunal colocou a participação eleitoral em 81,69 por cento contra os 81,79% dos resultados provisórios da Comissão Nacional de Eleições. Francisco Guterres "Lu Olo", o candidato da Fretilin, venceu a primeira volta das eleições ao recolher 112.666 votos que correspondem a 27,89 por cento dos votos expressos, enquanto José Ramos-Horta, candidato independente, obteve 88.102 votos ou 21,81 por cento dos votos. O Tribunal de Recurso manteve a contagem de 7.723 votos brancos ou 1,81 por cento e os 15.534 votos nulos ou 3,64 por cento do total. A segunda volta das eleições presidenciais realiza-se a 9 de Maio com a campanha eleitoral a decorrer entre 22 de Abril e 6 de Maio. A contagem dos votos tem início após o encerramento das urnas e a Comissão Nacional de Eleições tem de divulgar até 14 de Maio os resultados provisórios.

A realizar um balanço sobre a primeira volta, Ana Pessoa, Ministra da Administração Estatal, revelou que os timorenses votaram menos do que nas anteriores eleições presidenciais e autárquicas, em que a afluência se situou acima dos 80 por cento. Ainda assim, Ana Pessoa disse ter ficado satisfeita com a maneira como decorreram as eleições e o escrutínio, embora reconheça que houve erros técnicos. Sobre estes, diz que não os houveram devido a "má-fé", como adjtivou, mas ao "fraco entendimento do processo, embora todas as coisas foram sendo explicadas".

Observadores

Cerca de 2080 observadores acompanharam a primeira etapa das eleições presidenciais. Além dos 1,9 mil observadores indicados por mais de 50 organizações locais, estão no país 180 observadores internacionais de 20 países, incluindo delegação brasileira que integra missão da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Oito candidatos concorreram à sucessão de Xanana Gusmão, nas primeiras eleições após a independência de Timor-Leste, que ocorreu em 20 de Maio de 2002 (não se deve esquecer que o país foi ocupado pela Indonésia por mais de duas décadas).

Dos cerca de 1 milhão de habitantes de Timor, 522.933 podem exercer ao direito ao voto, nas 504 zonas eleitorais distribuídas pelos 13 distritos do paí Díli, capital de Timor, é a cidade que concentra o maior número de cadastrados, com 99.260 eleitores, seguida por Baucau, com 60.522. As eleições em Timor são consideradas um marco histó rico pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. Em declaração oficial, os 15 Estados-membros do órgão fizeram um apelo a todos os candidatos para que garantissem a segurança e condenassem actos de violência na campanha.

Em Agosto do ano passado, a ONU criou a Missão Integrada das Nações Unidas em Timor-Leste (Unmit), para assegurar a lei e a ordem e criar condi ções de segurança para a realização das eleições presidenciais e das eleições legislativas, previstas para Junho. Em Fevereiro deste ano, o Conselho de Segurança da ONU estendeu o mandato da Unmit até 26 de Fevereiro de 2008.

Sancho Coutinho, do Secretariado-Executivo da CPLP; Geraldo Antonio Chirinza, Embaixador
de Mocambique em Jacarta, também acreditado em Dili; e Apolinário Mendes da Carvalho,
Chefe de Missão dos Observadores da CPLP às eleições presidenciais
 
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ABRIL/MAIO 2007
 
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