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Jornada
HISTÓRICA
Consultor brasileiro,
Eduardo Rio Branco tem muito a contar sobre as últimas duas
décadas em alguns países africanos, especialmente
em Moçambique, onde tem buscado oportunidades de negócios
e de desenvolvimento
Por: Rute Domitila de Azevedo
Do outro lado da História
de cada Nação, há sempre um sem número
de personagens que contribu íram e contribuem para a alteração
dos factos, dos acontecimentos, cujos nomes, em sua maioria, não
são registrados pela literatura oficial. De todo, os há:
na História sócio-política, homens de negócios,
empreendedores interessados em áreas das mais diversas têm
determinado ou colaborado por alterar os des ígnios políticos
e históricos.
É o caso do consultor brasileiro
Eduardo Rio Branco, que há mais de duas décadas tem
vivido de perto e participado da construção da História
mais recente de países africanos, especialmente de Moçambique.
Descendente directo do famoso Barão
do Rio Branco, diplomata que marcou a história do Brasil
no final do século XIX e início do século XX
ao negociar com os países fronteiriços a demarcação
de limites, o que valeu à nação 900 mil quilómetros
quadrados de área garantida, além de definir a divisa
com europeus das Guianas Francesa e Holandesa.
Eduardo Rio Branco tem, então,
a palavra:
Quando
e por quais motivos o senhor chegou em África?
Comecei a trabalhar em África por volta de 1976,
na Nigéria. Na época, trabalhava num consórcio
chamado Transcon- Cetenco: ambas brasileiras, a Transcon era uma
empresa de engenharia e a Cetenco uma construtora. O consórcio
formado pelas duas tinha interesse em entrar no mercado nigeriano.
Eu já conhecia aquele país,
já tinha lá vivido na época em que meu pai
fora Embaixador do Brasil. O facto de já conhecer a Nigéria
facilitava os negócios.
Quais
eram, então, os interesses?
Especificamente, tratava-se da construção
de uma ferrovia.
Chegamos a ganhar a concorrência,
mas depois os acordos foram desfeitos. Todavia, continuei a trabalhar
na Nigéria, dessa vez com uma trading, por volta de 1979.
Mudei-me para Paris, dado que a trading
era suíça e tinha base na capital francesa, mas sempre
trabalhando na Nigéria, onde permaneci até 1981.
Houve um dia em que acordei e me dei
conta de que as minhas reais possibilidades de permanecer e desenvolver
projectos lá haviam se esgotado. Acordei e resolvi: 'vou
embora hoje e nunca mais volto aqui'. Fui embora com a roupa do
corpo.
Voltou
ao Brasil?
Voltei para Paris e comecei a perspectivar e trabalhar
com outros países de África: Tanzânia, Quénia,
Uganda e Moçambique. Comecei a trabalhar na Tanzânia
por volta do ano de 1978, na negociação de um contrato
com uma empresa brasileira chamada Ecisa. Negociamos e ganhamos
um contrato para construir uma estrada na Tanzânia. Uma vez
assinado o contrato, a obra foi realizada e a estrada existe até
hoje.
Da Tanzânia comecei a expandir
a acção para o Quénia e o Uganda.
Bem como Moçambique.
Naquela época, fui a Moçambique
a primeira vez. Isso aconteceu em 1986. Ajudado por um amigo queniano,
pude encontrar o então Presidente, Joaquim Chissano, recém
eleito.
Minha ida a Moçambique aconteceu
literalmente a partir de um dia em que estava no Rio de Janeiro,
abri o Jornal do Brasil e deparei-me com um artigo extenso sobre
o carvão de Moatize. Naquela época, o DNPM (Departamento
Nacional de Pesquisa Mineral brasileiro) estava realizando um estudo
sobre a região.
Na página seguinte, havia um outro
artigo expressivo sobre uma dívida que Moçambique
tinha a saldar com o Brasil.
Fiz logo a conexão.
Mas, quando comecei a estudar o assunto,
havia um dado fundamental a levar em conta. Moçambique atravessava,
na época, uma guerra sangrenta. O projecto de Moatize tinha
uma ferrovia de acesso que fora totalmente destruída durante
a guerra, mas mesmo assim pensei que houvesse algo que se pudesse
fazer.
Daí,
o encontro com o Presidente Chissano?
Antes disso, comecei a pesquisar outros projectos em Moçambique.
O projecto de carvão era vulnerável.
São 600 km de estrada de ferro e uma granada pararia tudo.
Só seria possível lá trabalhar através
de um acordo.
Saí à procura de alguém
que conhecesse o Presidente Chissano e deparei-me com aquele meu
amigo queniano, igualmente amigo do Presidente, que disse que me
apresentaria a ele.
O encontro foi marcado. O Presidente
Chissano estava saindo em viagem e, portanto, a conversa aconteceu
no próprio aeroporto.
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"Naquela
época, fui a Moçambique a primeira vez.
Ajudado por um amigo queniano, pude encontrar
o então Presidente, Joaquim Chissano, recém eleito" |
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