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Uma instituição
que venceu: o Curso
Rio Branco do Itamaratys
Dário Moreira de Castro Alves *
Não conheço
a história em pormenores, mas é facto que triunfou
brilhantemente a ideia de uma instituição criada pelo
Ministro de Estado das Relações Exteriores, em 1945.
No Itamaraty, transcorria em 20 de Abril daquele ano, o centenário
de nascimento do Barão do Rio Branco, um grande brasileiro,
patrono da diplomacia brasileira, e seu nome merecia ser celebrado
de uma maneira especial e relevante.
Candidatos a diplomatas faziam até
então concurso no Departamento Administrativo do Serviço
Público, DASP. Ou por ideia própria em sua brilhante
cabeça, ou porque fosse no ar o assunto, o então Chanceler
João Neves da Fontoura, em 20 de Abril de 1945, aos 100 anos
de nascimento do grande brasileiro que foi José Maria da
Silva Paranhos do Rio Branco, baixou decreto pelo qual ficara assentado
que no Brasil se criava uma Academia diplomática oficial,
como os militares tinham suas Academias próprias, que escolhiam
então seus futuros oficiais das três Forças
Armadas: a Academia Militar para a formação do corpo
de oficiais do Exército brasileiros, no Realengo, Estado
do Rio de Janeiro; da Marinha de Guerra no Rio de Janeiro, e em
Pirassununga, Estado de São Paulo, a Academia da Força
Aérea, para formar os futuros pilotos militares do Ar.
E assim, naquele espaço que reinava
em 1945, a data centenária do nascimento do Rio Branco, entra
em vigor a promessa da única via de entrada para a carreira
diplomática, que é a de fazer o concurso no Itamaraty
para a entrada no Instituto Rio Branco e, dois anos depois, êxito
nos concursos, nos diversos exames do Instituto Rio Branco, levava
alguém a ter respeitados seus méritos e a entrada
no Itamaraty estava assegurada pela via certa e justa: cursar uma
instituição feita para aquela finalidade.
Desde a criação do Instituto
Rio Branco para aproveitamento na carreira diplomática até
nossos dias, mais de 1200 alunos cursaram os exames previstos, inclusive
quem faz estas linhas e evoca estes factos: em 1951, fui admitido
para os escalões diversos da carreira diplomática,
democraticamente, legitimamente, os quadros do Serviço Público
Federal no que há de delicado, sério e importante
que é a selecção para a carreira diplomática.
Sempre acreditei no voto dos homens públicos que se comprometeram,
nesse campo sensível e delicado, a criar um mecanismo certo,
legalmente correto e digno, para entrar pela porta estreita dos
concursos para o Instituto Rio Branco. Mais de um milhar, homens
e mulheres, se inscreveram nos vários concursos diplomáticos
ao longo de várias dezenas de anos de funcionamento do esquema
previsto para a selecção dos futuros diplomatas. Não
se confunda com o facto de que, em si, como ocorre em toda a parte
do mundo, a nomeação de Embaixadores é da livre
escolha do Presidente da República. Embaixador é um
cargo aberto ao julgamento do homem que dirige o supremo destino
do país que, no caso do Brasil, tem sido utilizado pelo Presidente
com parcimónia no processo da escolha, que não coloca
a pessoa dentro da carreira mas no exercício de um cargo
público como o de Ministro de Estado ou do Supremo Tribunal
Federal.
A carreira diplomática é
exercida por homens e mulheres em igualdade de condições
perante a Lei. A média inicial da entrada na carreira diplomática
tem sido 28 anos. Os bacharéis em Direito constituem a maioria
dos que se preparam previamente para cursar o Instituto Rio Branco.
Sou testemunha viva de que me utilizei
dos mecanismos legais e democráticos para, durante mais de
40 anos, servir à carreira diplomática, da qual sou
hoje aposentado, um ex-servidor, um inativo pelo menos para o que
é legal fazer para o serviço da Pátria.
* Embaixador brasileiro aposentado, ex-aluno
do Instituto Rio Branco
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