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CECÍLIA
MEIRELES escreveu sobre si própria: "Nasci
aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de
meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas
e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos
materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal
intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações
entre o Efémero e o Eterno".
Filha de Carlos Alberto de Carvalho Meireles
e de Matilde Benevides Meireles, ele, funcionário do Banco
do Brasil e ela, professora primária, Cecília Benevides
de Carvalho Meireles nasceu a 7 de Novembro de 1901, na Tijuca,
Rio de Janeiro. Foi a única sobrevivente dos quatros filhos
do casal e passou a ser criada pela pela avó materna, Jacinta
Garcia Benevides, após a morte da mãe.
Além de poetisa, foi professora,
pedagoga e jornalista. Na poesia, escreveu algumas das melhores
de toda literatura brasileira e de língua portuguesa; como
jornalista, actuou com seriedade em frente a uma imprensa dominada
pela repressão e censura do governo Vargas; como professora
e pedagoga sempre lutou por uma educação democrática
e igualitária.
Aos 16 anos, diplomou-se professora primária.
Dedicou-se ao estudo de outros idiomas e estudou no Conservatório
Nacional de Música, onde teve aulas de canto e violino. Em
1919, aos 18 anos, ela publicou seu primeiro livro de poemas, Espectros,
iniciando um período de grande produção. Seguiram-se
Nunca mais... e Poema dos Poemas, em 1923, e Baladas para El-Rei,
em 1925.
No ano de 1922, casou-se com o pintor
português Fernando Correia Dias, com quem teve três
filhas: Maria Elvira, Maria Mathilde e Maria Fernanda, esta última
artista teatral consagrada. Suas filhas lhe dão cinco netos.
O marido suicidou-se em 1935 e, em 1940, Cecília casou-se
com o professor e engenheiro agrónomo Heitor Vinícius
da Silveira Grilo.
Publicou, em Lisboa, o ensaio O Espírito
Vitorioso, uma apologia do Simbolismo.
De 1930 a 1931, mantém no Diário
de Notícias, jornal português, uma página diária
sobre problemas de educação.
Em 1934, organizou a primeira biblioteca
infantil do Rio de Janeiro, ao dirigir o Centro Infantil, que funcionou
durante quatro anos no antigo Pavilhão Mourisco, no bairro
de Botafogo.
Proferiu, em Lisboa e Coimbra, conferências
sobre Literatura Brasileira.
De 1935 a 1938, leccionou Literatura
Luso-Brasileira e de Técnica e Crítica Literária,
na Universidade do Distrito Federal (hoje UFRJ).
Publicou, em Lisboa, o ensaio "Batuque,
Samba e Macumba", com ilustrações de sua autoria.
Colaborou ainda activamente, de 1936
a 1938, no jornal A Manhã e na revista Observador Económico.
A concessão do Prémio de
Poesia Olavo Bilac, pela Academia Brasileira de Letras, ao seu livro
Viagem, em 1939, resultou de animados debates, que tornaram manifesta
a alta qualidade de sua poesia.
Publicou, em 1939/1940, em Lisboa, em
capítulos, Olhinhos de Gato, na revista Ocidente.
Em 1940, leccionou Literatura e Cultura
Brasileira na Universidade do Texas (USA).
Em 1942, tornou-se sócia honorária
do Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro.
Em 1952, tornou-se Oficial da Ordem de
Mérito do Chile, honraria concedida pelo país vizinho.
Realizou numerosas viagens aos Estados
Unidos, à Europa, à Ásia e à África,
fazendo conferências, em diferentes países, sobre Literatura,
Educação e Folclore, em cujos
estudos se especializou.
Tornou-se sócia honorária
do Instituto Vasco da Gama, em Goa, Índia, em 1953.
Em Délhi, Índia, em 1953,
foi agraciada com o título de Doutora Honoris Causa da Universidade
de Delhí.
Recebeu o Prémio de Tradução/Teatro,
concedido pela Associação Paulista de Críticos
de Arte, em 1962.
No ano seguinte, ganhou o Prémio
Jabuti de Tradução de Obra Literária, pelo
livro Poemas de Israel, concedido pela Câmara Brasileira do
Livro.
Traduziu peças teatrais de Federico
Garcia Lorca, Rabindranath Tagore, Rainer Rilke e Virginia Wolf.
Faleceu no Rio de Janeiro a 9 de Novembro de 1964, sendo-lhe prestadas
grandes homenagens públicas. Recebeu, ainda em 1964, o Prémio
Jabuti de Poesia, pelo livro Solombra, concedido pela Câmara
Brasileira do Livro, ano em que também foi inaugurada a Biblioteca
Cecília Meireles em Valparaiso, no Chile.
Em 1965, foi agraciada com o Prémio
Machado de Assis, pelo conjunto de sua obra, concedido pela Academia
Brasileira de Letras.
Sua obra, marcada didacticamente
pelo Modernismo, não deixou de ter a influência do
Simbolismo e de técnicas encontradas no classicismo, gongorismo,
romantismo, parnasianismo, realismo e surrealismo. Como se vê,
Cecília não tinha uma estética específica,
pois sua obra sofre influência dos mais diferentes estilos
de época.
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